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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Por toda a minha vida

  Por toda a minha vida é muito tempo. Não penso mais em uma vida. Penso num piscar de olhos, num estalar de dedos, no hoje, no agora.
  Sonhar? Sonho. Por cinco minutos. Depois acordo. E sigo. Sigo andando, sigo correndo, sigo em silêncio, sigo seguindo. Sigo em frente. Mesmo que olhe pra trás algumas vezes. Lembrando de um piscar de olhos...
  Vejo o que quero ver. Escuto o que quero escutar. Sinto o que quero e o que não quero sentir. E aprendo. Isso sim é por toda uma vida. Toda uma vida para aprender. Um estalar de dedos para ensinar.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Sonho?




  Todos torciam para ele acordar, todos sentiam a falta dele. Os médicos não podiam fazer mais nada, apenas esperar. Alguns diziam que dependia apenas da vontade do próprio Gabriel. Isso revoltava a família e os amigos. "É claro que ele quer acordar! Por que ia preferir ficar em coma? Sempre foi tão feliz!"


  "Sempre foi tão feliz." Sempre foi tão feliz?


  Enquanto estava em coma, Gabriel não tinha pesadelos. Apenas sonhos bons, os melhores sonhos. Ele sabia que eram apenas sonhos. Mas tudo era tão perfeito. Parecia até o paraíso. E sabe-se lá se realmente existiria um paraíso depois dessas coisas. E não que a realidade fosse um inferno, mas estava longe de ser perfeita. E todos sempre disseram que ele era um "sonhador", então agora estava no lugar certo, não é?


  Mas tinha um problema. Gabriel sentia falta de algumas pessoas. Não muitas. Pouquíssimas, na verdade. Mas essas faziam diferença. Elas também estavam presentes em seus sonhos, mas o fato dele saber que elas não eram reais o incomodava. Dessa realidade ele sentia falta. Ali elas eram perfeitas, como robôs. Mas Gabriel sentia falta das imperfeições delas. Sim, dos seus erros, dos seus defeitos. De como elas se superavam, e surpreendiam. Era espontâneo, era inesperado, era humano.


  Mas ali ele estava feliz. E não precisava se preocupar com mais ninguém, apenas com ele mesmo, ser um pouco egoísta. Mas ele realmente estava tão feliz? Não sabia. Ele realmente só se preocupava com ele agora? Não. Ainda se lembrava e se importava  com eles, caso contrário aquela dúvida entre continuar ali ou acordar não estaria rondando sua cabeça...


  Gabriel acordou. Já que teria que buscar a felicidade de qualquer jeito, era melhor estar bem acordado e com pessoas reais ao seu lado.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Meus/Seus Erros

  Eu vejo os meus erros sempre maiores que os seus. E seus erros, tão iguais aos meus, que muitas vezes nem enxergo como erros.
  Lente de aumento onde eu deveria fechar os olhos. Hiperdimensionando o que passa desapercebido pelos que me admiram. Pelos que eu admiro.
  E eu peço desculpas pelos erros que não cometi, porque tenho tanta certeza que os cometi. E se ainda assim, insistes que eu não errei, peço desculpas pela minha teimosia em insitir que errei. Porque disso sim posso dizer que nada sei.
  Ninguém tem culpa, disso eu sei. Mas mais fácil culpar a mim do que a vocês. Eu suporto, já me acostumei. Abraço não só o amor, abraço a dor, o que for. Não posso salvar o mundo, mas, pelo menos por um segundo, posso salvar quem está ao meu lado. E também terei salvo a mim mesmo.

domingo, 16 de outubro de 2011

Barney


  Eu tinha um cachorro chamado Marley Barney. Ele morreu semana passada. Lembro como se fosse hoje: entre seus últimos suspiros, ele me olhou e disse: au au.
  Barney era um grande amigo, grande companheiro. Quando minha mãe entrou em trabalho de parto, ela estava sozinha com ele em casa. Meu pai tinha ido comprar cigarro (por sinal não voltou até hoje), e nós morávamos muito longe e não tínhamos vizinhos, nem telefone. Ele não teve dúvidas, fez o meu parto. Seu focinho foi a primeira coisa que vi ao nascer.
  Enquanto minha mãe trabalhava, ele cuidava de mim. Ele me ensinou a ler e escrever, a andar de patins e a lutar como o Bruce Lee. Ele me apresentou os "Beatles" e me ensinou a dançar como John Travolta em "Os Embalos de Sábado à Noite".
  Quando cheguei a adolescência foi com ele o meu primeiro porre. E quando tudo ia de mal a pior na minha vida e eu tive vontade de desistir de tudo, ele olhou sério nos meus olhos e disse: au au.
  Hoje eu lembro de você e de todas as conversas que nós tivemos, e chego a conclusão de que eu não me tornei um completo idiota. Sou até esforçado, sobrevivendo aos trancos e barrancos. Sem você eu não teria chegado aonde cheguei. E até hoje eu sigo seus conselhos, rosnando para as cobras que me ameaçam, latindo para as raposas que me enganam, e mordendo as gatinhas que me dão sopa.
  Obrigado meu amigo. Só me resta dizer mais uma coisa: au au.

Mentira

  
  Se você leu o título desta postagem e achou que a mesma seria sobre a "mentira" ou qualquer coisa relacionada a ela, enganou-se. Era mentira. Então você não se enganou, era sobre "mentira" mesmo. Enfim..


  Um poeta cantor um dia disse: "Quem me dera ao menos uma vez, que o mais simples fosse visto como o mais importante".  Sim, quem nos dera.
  Por que a vida às vezes parece tão complexa, tão difícil? Unicamente pelo nosso ponto de vista. Nós nunca paramos para reparar que a união de todas essas coisas simples resultam no que há de mais importante em nossa vida. Preferimos dar mais atenção a todas essas coisas complexas que, na verdade, pouco importam na nossa vida. E por que fazemos isso? Não sei. Se eu soubesse começaria a ver o mais simples como o mais importante.
  E enquanto continuamos vivendo às cegas, o mundo continua doente. Ver é o primeiro passo para se viver. Quando você vê, você entende. Quando você entende, você age. Se você viu errado, agiu de forma errada, viveu de forma errada. Se você não viu, você não agiu, não viveu. E isso é ainda pior. O quanto você já deixou de viver?
  Eu nunca vou conseguir explicar o que ninguém consegue entender, porque eu mesmo nunca vou entender. Mas eu posso acordar amanhã e, ao abrir os olhos, reconhecer que aquele sim é um momento importante. O primeiro e o último passo do dia serão momentos importantes. Do primeiro "bom dia" até o último "boa noite". Simples e importante.
  

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Enquanto eu corria



  Enquanto eu corria na praia, uma água-viva saiu do fundo do mar, voando na minha direção. E ela disse pra eu seguir em frente. E eu continuei a correr. 
  Enquanto eu corria na praia, uma coruja saiu debaixo da areia, voando na minha direção. E ela disse para eu seguir em frente. E eu continuei a correr.
  Enquanto eu corria na praia, uma tartaruga veio correndo, de patins, na minha direção. E ela disse para eu seguir em frenteE eu continuei a correr.
  Enquanto eu corria na praia, o Fiuk apareceu na minha frente, tocando violão talentosamente e cantando com extrema afinação. E ele disse para eu seguir em frente. Eu parei de correr e fui embora. Fiuk com talento e afinação? Eu só poderia estar desidratado. Era uma alucinação, na certa.





segunda-feira, 25 de julho de 2011

Parabéns ao meu irmão

   Há 24 anos (fazer o quê né, é a sua idade) nascia meu irmão. Irmão este que só fui conhecer 16 anos atrás. Pelo simples fato de sermos irmãos de pai e mãe diferentes. Somente isso. Detalhe insignificante. 
   Você era um criança estranha, muito branca e com cara de japonês. Cresceu um pouco e se transformou numa "almôndiga". Agora, é a cara do Clark Kent. Mas continua muito branco. Tia Mariza colocou fermento no seu toddynho e você ficou alto como um gigante. Gigante do tamanho do seu coração.
   Irmãos são irmãos. Isso não tem como acabar ou mudar. Porque eu sei que independente das besteiras que eu faça, você vai continuar do meu lado. E isso é recíproco. Sempre pude contar com você e isso não tem preço. 
   Alguns dos melhores dias da minha vida você estava lá, e alguns dos piores dias da minha vida você também estava lá. Porque irmão que é irmão está sempre por perto, não só nos bons momentos, mas também nos maus. No choros ou nos risos. E que bom que os risos sejam mais constantes. Risos acompanhados de cerveja, amigos, futebol, etc. Algumas odisseias contamos aos quatro ventos, outras ficam só entre a gente, porque o que acontece em Las Vegas fica em Las Vegas.
   Irmão, você faz parte da minha vida. E não existe nada mais real que isso. É um orgulho poder falar isso, porque é um orgulho ter você por perto. Eu já disse pra todos que você é umas das melhores pessoas que surgiram neste mundo, e sempre será. Tudo na vida pode já ter uma data para acabar, mas nossa amizade é infinita. E essa é uma das raríssimas certezas que eu possuo.
   Cara, parabéns não só por hoje. Parabéns pela pessoa que você é. Parabéns pelo seu caráter, parabéns pela sua dignidade, parabéns pela sua benevolência, parabéns pela sua honestidade, parabéns pela sua flexibilidade, parabéns pela sua fidelidade e, acima de tudo, parabéns pelo seu bom gosto em escolher os amigos. E obrigado pela sua amizade.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Amigo


   Esses eu escolhi. Esses me escolheram.  Família sim.  Se a vida fosse uma longa estrada, seriam vocês os que tirariam cada pedra, cada obstáculo do meu caminho.
Sendo verdade o ditado “diga-me com quem andas que te direi quem és”, então eu devo ser um cara muito bom.  Porque eu ando com os melhores. Porque vocês me fazem o melhor. E eu não tenho dúvidas de que minha vida é melhor por causa de vocês.
   Eu posso errar, e realmente erro muito. E eu agradeço por cada correção que vocês fizeram nesses meus erros, ao invés de sorrisos falsos e concordâncias mentirosas. Agora se o meu erro foi com um de vocês, deveria então me ajoelhar diante de Deus e pedir perdão. Pois não é um erro, é um pecado. Não teria falhado com uma pessoa qualquer, teria falhado com um dos meus anjos.
   Um dia já lamentei muito por cada tombo que levei. Hoje não. Porque todas as vezes que caí, vocês me levantaram, e continuarão sempre me levantando. Esse é o lado positivo de cada tombo, por ser a oportunidade de levantar junto com vocês.
  Obrigado meus amigos. Tudo que posso fazer é tentar estar a altura de vocês. Tentar ser merecedor de cada palavra, de cada sorriso, de cada abraço que vocês um dia me deram de presente, e que me edificaram. Obrigado por sempre estarem comigo, porque sem vocês eu não seria nada.

  Feliz dia do amigo!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A(s) minha(s) Ana(s)

   Eu tinha que ir à praia, pois era um dia de sol. E eu amava o sol. E eu tinha que ver a Ana. Eu amava a Ana. O sol e a Ana. Solana. E nós fomos à praia. Eu queria ficar ali, sentado na areia, sentindo a brisa e olhando as ondas. Mas Ana também precisava entrar no mar. E entrou. Que linda era a Ana no mar. O mar e a Ana. Mariana.
   O dia estava tão bom que as horas passaram rapidamente, e entardeceu. Mas Ana não se dava por satisfeita. Queria ficar até anoitecer, queria ver a lua. Sim, eu amava o sol, ela amava a lua. E anoiteceu. E que linda era a Ana sob a luz da lua. A lua e a Ana. Luana.
   Ana queria mais. Queria dormir ali mesmo, na areia, para ver o dia nascer. Posso até ter olhado com estranheza para ela quando me disse isso, mas Ana tinha o dom de me fazer sentir o que ela sentia, de desejar o que ela desejava. Ana se misturava a mim. E com o cansaço que sentíamos, adormecemos. E quando abri meus olhos já era de manhã. E Ana já estava lá, sentada, admirando o mais novo dia. E como era linda a Ana olhando o novo dia. O dia e a Ana. Diana.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Num futuro não muito distante

  A história começa no dia 24 de maio de 2011. Após participar do Congresso Municipal Federal Anual e Estadual dos Servidores Públicos Municipais de Cabo Frio e Região dos Lagos, fui abordado por médicos, cientistas e agentes do Governo. Eles me apresentaram um novo projeto e gostariam da minha ajuda. Tratava-se do "PMV",  "Projeto Minha Vida", que visava a experiência, já muito conhecida em filmes de ficcção científica, de congelar uma pessoa para que ela despertasse muitos anos depois, talvez até em outro século, com a mesma aparência, sem nenhum envelhecimento.

  - Mas por que eu?
  - Já oferecemos pra milhares de pessoas antes. Ninguém quis.
  - Ah tá. E por que ninguém quis?
  - São 50 anos. Você vai perder muita coisa da sua vida. Seus amigos vão envelhecer, seus pais morrerem, você vai acordar perdido em outra época. E há a possibilidade de não dar certo e você morrer congelado.
  - Caraca. Eu também não quero não.
  - Oferecemos para você um salário mínimo por mês a partir de quando você acordar, durante toda a sua vida.
  - Só isso? Que absurdo!
  - Uma quentinha por dia e um passe livre nos ônibus da Salineira.
  - Eu topo!

  24 de maio de 2061

  É, realmente deu certo. Quando abri os olhos estava numa cama de hospital, morrendo de frio, cheio de cobertores em cima de mim. Fui apresentado ao Robert,  filho de um dos médicos pioneiros da experiência e estava incumbido de ser meu "guia" nesse mundo novo. Realmente muita coisa havia mudado.
Fui para o primeiro lugar que me veio a cabeça: um bar, é claro. E lá fomos, Robert e eu.

Logo que chegamos, uma garçonete nos perguntou:

  - O que o "casal" vai querer?

  Muito perspicaz, notei que era um bar gay.

  - Robert, nada contra suas opções, mas eu não sou gay. Preferia ir num bar tradicional.
  - Shhhhhh! Nao fala que você não é gay - respondeu susurrando.
  - Ué, mas não sou, sou hétero.
  - Cala a boca! Não fala isso! Eu também sou, mas não podemos falar. Falar "não sou gay" ou "sou hetero", hoje em dia, é considerado homofobia e é crime. Dá até prisão.
  - Ué, mas eu não estou discriminando ninguém.
  - Pois é, mas com o passar dos anos, o conceito de "homofobia" foi muito banalizado e hoje em dia qualquer coisa é homofobia. Se você não concorda com a homossexualidade, você é homofóbico. Se você diz que é hetero, você é homofóbico. Agora eles são maioria, e esse não é um bar gay, é um bar tradicional. Existe um bar hetero, mas fica um pouco longe daqui.

  Resolvemos ir para o outro bar, enquanto isso ouvimos o seguinte comentário:

  - Ih olha lá, aposto que são héteros! Sai pra lá careta! Olha lá gente, dois machinhos!

  Chegamos no bar. Era o único bar hétero da cidade e nem estava cheio. Grande parte dos héteros ficavam em casa, com medo de retaliações. E outra grande parte estava presa.
Pedimos duas cervejas. A garçonete gritou:

  - Traz duas cerveja pra esses dois rapaz sentados aqui na mesa!

  Essa era a linguagem popular, que realmente se tornou a mais popular no país. Todo mundo falava assim, sem concordancia nominal nenhuma. Às vezes eu me esforçava pra entender, parecia outro idioma. A educação do país piorou muito, pois  milhares de professores de português e literatura se recusaram a ensinar tal "língua" para seus alunos (a "linguagem popular" era disciplina obrigatória) e se demitiram, e muitos professores também de outra disciplinas pararam de lecionar, devido aos baixíssimos salários. Procuraram outras profissões, ninguém mais queria ser professor.

  Não havia mais refeições nas escolas públicas, vendiam apenas biscoitos de água e sal. Foi a "solução provisória" que o governo encontrou após as denúncias de desvio de verba destinadas às merendas escolares, que estragavam nas escolas. Alegando falta de dinheiro, não há previsão para a volta das refeições e nem para um aumento de salário aos professores.
  Tomei um porre e Robert me levou para casa. Casa esta que, por sinal, estava mais podre que as antigas merendas escolares. Ao acordar, fui procurar Robert. Encontrei-o próximo ao hospital em que acordei. Implorei que me mandasse de volta ao ano de 2011.

  - Ricardo, isso não é uma máquina do tempo. Você não pode voltar nunca mais. Essa é a sua vida agora.

  Decepcionado, peguei um ônibus para... sei lá pra onde, pra qualquer lugar. Tinha um passe livre nos ônibus da Salineira mesmo. Além das quentinhas. Ao menos isso.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Para minha irmã cabocla

   Especialmente hoje gostaria de ter o talento do maior escritor que um dia já existiu neste mundo, para que eu pudesse escrever não apenas um texto, mas uma obra-prima literária proporcional a quem você é e ao que você representa na minha vida.
  Você sabe por que o nome desse blog é "Cometa"? Acredito que ninguém saiba pois nunca mencionei. Eis a explicação: existem pessoas que passam em nossas vidas de forma repentina e inesperada. E instantaneamente marcam nossas vidas. Protagonistas de inúmeros momentos em que gostaríamos que o tempo parasse durante segundos para que nossos olhos pudessem fotografá-los. Mas mesmo nossos olhos não tendo tal tecnologia, nossa mente cumpre bem este papel. Tenho um álbum de fotografias desses momentos aqui na minha cabeça. Essas pessoas aparecem em nossas vidas e brilham. Sim, brilham. Brilham no meio de tanta escuridão, e iluminam tudo ao redor. E depois vão embora, deixando saudades e lembranças. Pessoas cometas. Mas esse cometa eu gostaria que não fosse embora nunca.
  Sinto-me meio assim, meio Miudin. Passamos por cada coisa surpreendente nessa vida, mas essa eu não esperava: eu, depois de "burro velho", encontraria uma irmã. Irmã cabocla. Irmã não de sangue, mas irmã que eu escolhi. Irmã que me escolheu. Irmã que me faz bem, muito bem. Irmã que me entende. Irmã que me ensina e me ajuda todos os dias. Irmã que chora e solta gargalhadas comigo. Irmã que tem paciência comigo. Irmã que se revolta comigo. Irmã que ri de mim e ri comigo. Irmã, que independente de qual verbo a suceda, terminará a frase sempre com o pronome comigo. E a recíproca dessa salada morfológica também é verdadeira.
  OBRIGADO. Obrigado pela amizade, pelo companheirismo, pela felicidade que sempre me proporcionou, obrigado por ser a irmã mais perfeita que alguém possa ter. Obrigado por essa força que você tem que me traz força também. Obrigado por existir (um ótimo trabalho da Dr.ª e do Índio Pai).
  Não lhe desejo saúde, muito pelo contrário. Desejo-lhe uma doença. A mesma doença de "Patch Adams": excesso de felicidade. Desejo-lhe sorrisos e lágrimas de felicidade. E que sua felicidade em excesso transborde, contagie outras pessoas e as cure. Sim, sua felicidade cura. Já me curou várias vezes e eu nem precisei de prescrição médica. E sem contra-indicações ou reações adversas.
  Que você tenha sucesso em tudo o que um dia você sonhou em realizar. Que você tenha sempre calma e sabedoria nos momentos mais difíceis, ou com as pessoas pessoas mais difíceis. Que você nunca perca a fé em você mesma. E que você nunca tenha dúvidas de que um dia vai conquistar o mundo.
  Ro haihu.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

13 de maio


   Foi num 13 de maio...

   Foi nesse dia que, a partir de uma assinatura, oficializava-se a igualdade entre duas cores. Pelo menos em teoria. Igualou-se o que nunca deveria ter sido desigual. Prepotência de uma raça que nunca foi superior e nunca será a nenhuma outra. E nem inferior. Mas sim igual, apesar das diferenças.
   Tudo bem, aplausos para o fim de uma discriminação covarde e sem fudamento. Mas deveríamos ter vergonha disso um dia ter acontecido. A história da humanidade ( não só do Brasil ) tem uma enorme mancha, que nunca será apagada. Cada chibatada que eles tomaram não será cicatrizada nunca. Então comemoremos o fim de uma vergonha que nunca poderia ter começado.
   Negro, branco, pardo, indígena, amarelo... Bendita seja a miscigenação do meu país.

Toda forma de preconceito é burra.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Pedra


Um poeta uma vez disse que tinha uma pedra no meio do caminho. Disse que no meio do caminho tinha uma pedra. E que ele nunca esqueceria de que no meio do caminho tinha uma pedra.
Eu não sei qual era a pedra no caminho do Carlos Drummond, mas que ele tinha, tinha.

Uma vez eu não vi que tinha uma pedra no caminho, e dei uma topada nela. E doeu.
Outra vez eu vi que tinha uma pedra no caminho e dei um chute nela. Mas estava descalço. E doeu.
Outra vez eu fingi que não vi que tinha uma pedra no caminho, e pisei nela. Mas estava descalço. E doeu.
Outra vez eu vi que tinha uma pedra no caminho, peguei-a e atirei longe. Acertou outra pessoa. E doeu. Nela.
Outra vez eu vi que tinha um pedra no caminho, ignorei-a, desviei um pouco, e continuei o caminho. Afinal, era apenas uma pedra.

domingo, 8 de maio de 2011

Amargo Mel

Como podes dizer que não exista algo em que outros acreditam?
Mas podes acreditar no que apenas seus olhos vêem
e não podes entender o que eles sentem
Corações gélidos com olhos que não enxergam

Rostos que sorriem disfarçando sentimentos que os matam
Palavras que saem vazias ou bocas que mentem
Palavras sinceras que rasgam ouvidos e nos ferem
Doces mentiras que fingimos acreditar dos que fingem que nos amam

Salvam-me vocês que falam sem medo do que crêem ser certo
Belos sorrisos sinceros que aquietam corações
Sigo responsável por quem ainda cativo

Mesmo podendo fingir que se finge não ter emoções
Somente por ter sinceridade até nos fingimentos ainda vivo
E na felicidade de viver com as verdades que ainda estão por perto.

sábado, 7 de maio de 2011

Baleia e eu

        

Um dia, sob os efeitos alcoólicos de algumas cervejas, conversei com um passarinho, que vivia dentro de uma gaiola, no corredor da minha casa. Como era de se esperar, eu falei mas ele não me respondeu. Mas se ele tivesse respondido...

  EU: Passarinho, você tem sorte.
  PASSARINHO: Sorte por que?
  EU: Porque fica aí dentro, sem nenhuma preocupação, recebendo comida e bebida
  PASSARINHO: Cara, você é cego? Eu tô preso aqui.
  EU: Você quer que eu te solte?
  PASSARINHO: Não, agora já era. Passei minha vida toda aqui. Não conseguiria viver lá fora.
  EU: Ah, mas sua vida não é tão ruim, Passarinho. Você não tem estresses, problemas a serem resolvidos.
  PASSARINHO: Em primeiro lugar, pare de me chamar de Passarinho. Eu tenho nome.
  EU: Tem? Qual?
  PASSARINHO: Meu nome é Baleia. Você não sabia meu nome porque eu não posso falar.
  EU: Mas você está falando!
  BALEIA: Não estou. Você é que tá bêbado.
  EU: Ah é...
  BALEIA: Responde uma coisa. Seu sonho era poder voar né?
  EU: Aham.
  BALEIA: Pois é. Eu tenho asas mas não posso voar, tudo porque um idiota me enfiou dentro dessa gaiola desde que eu nasci.
  EU: =/
  BALEIA: E eu não posso encher a cara quando estiver deprimido, que nem você. Porque se eu bebo esta porcaria que você bebe, eu morro!
  EU: Tá, tá, chega dessa conversa. Mas que pássaro resmungão. Vou dar uma geral aqui na cozinha senão minha mãe me mata.
  BALEIA: Eu mencionei que fui separado dos meus pais ainda filhote e que nem me lembro deles?!!
  EU: Chega Baleia! Você venceu! Parei de beber, que saco...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Meus anjos

    
      Eu não acredito mais em coelho da páscoa, em papai noel ou em reforma agrária. Então me desculpem, mas hoje eu quero as coisas mais certas ao meu lado. Posso não ser a pessoa mais certa do mundo pra dizer o que é certo, já que até o senso comum não é mais confiável. Mas, no fundo, todos sabemos né. Então, não tentem me empurrar goela abaixo uma inocência inexistente.
     O mais importante é que, eu sempre soube caminhar com meus próprios pés, mas só hoje eu sei onde cada caminho vai me levar. E sei quem eu posso escolher para iluminar esse caminho, e sei quem me empurraria para o caminho errado, rumo ao desfiladeiro. Mas esses são minoria.
     Eu não preciso gritar pra que vocês me entendam. Benditos sejam vocês que sabem o que quero dizer mesmo ao não dizer nada. E que riem e me esperam voltar quando vou para outro mundo, durante alguns segundos...
     "No creo en brujas, pero que las hay, las hay." Mas meus anjos são mais fortes. Meus anjos me carregam quando eu nem consigo mais andar sozinho. Meus anjos me fazem rir quando, ridiculamente, sinto pena de mim. Meus anjos riem de mim, riem comigo, riem deles. Meus anjos me aconselham e ouvem meus conselhos. Meus anjos bebem comigo, dançam comigo, vêem seriados comigo, tomam sorvete comigo. Meus anjos comem comigo, dormem no meu sofá, dormem na minha cama, acordam tontos e até limpam minha cozinha.
      Então, como já disse antes, não acredito mais em coelho da páscoa, em papai noel ou em reforma agrária. Mas em anjos sim. E eles também acreditam em mim.

sábado, 2 de abril de 2011

267

  


  Lembro-me como se fosse hoje:
  Dentro do quartel, mais especificamente numa sala do prédio da Artilharia, estávamos tendo uma Instrução (aula) sobre Inteligência Militar. E eu não tinha sido nada inteligente naquele dia.
  Demorei para colocar a farda e cheguei atrasado na instrução. O Sargento, aos berros, empurrou-me para dentro da sala para que não me atrasasse ainda mais. Notei que aquele não era meu pelotão, estava na sala errada. Fiquei na minha e sentei na cadeira para assistir a aula.
  Quem estava "dando a aula" era o Cel Faustino (nome fictício para não expor ninguém. Mentira, não lembro o nome dele mesmo), que nada mais era que o Comandante de todo aquele quartel.
  Bom, durante a instrução, o Cel Faustino comentou sobre algum caso de crime, não sei porque. Mas durante o comentário ele proferiu as seguintes palavras:

  - Foi um daqueles crimes que não se têm intenção de praticar.
  Um aluno levantou a mão e complementou:
  - Crime culposo, senhor.
  - Como disse, aluno? - perguntou o Cel.
  - Um crime que não se tem intenção de praticar é culposo. E quando se tem a intenção de praticar é doloso, senhor - respondeu firmemente o aluno.
  - Hã. E...? Alguém te perguntou alguma coisa, aluno? Vai fazer alguma diferença pra nossa instrução essa sua informação, aluno? Cultura inútil! Quem aqui dos alunos concorda comigo que levante a mão! - ordenou o Cel.

  Bem, notei que a grande maioria tinha levantado a mão, é claro. A grande maioria não, todos. Todos menos eu. Não concordava mesmo, e estava sentado ali atrás, numa das últimas cadeiras, lá no fundo mesmo. Ninguém veria. Errado, viram.

  - Comandante! Tem um aluno aqui que não levantou a mão! Levanta aluno, pro Comandante te ver - delatou-me o Sgt Ramires (também não lembro o nome).

  Dito isso eu me levantei e fiquei em posição de sentido.

  - Aluno, o Sr. não estava prestando atenção na minha aula, está com algum problema no braço que te impediu de levantá-lo ou realmente não concordou comigo? - perguntou-me o Cel.
  - Eu não concordei, senhor! - eu respondi e pensei: tô ferrado!

  Alguns alunos me olharam com olhos arregalados e alguns sargentos balançaram a cabeça negativamente. Acho que realmente tinha feito besteira, como sempre.
 Cel Faustino se aproximou e perguntou:

  - Por que o senhor não concorda comigo, 267? - forçando um pouco a vista para enxergar meu número.
  - Na minha opinião, saber o que é um crime culposo ou doloso não é uma cultura inútil, senhor! Cultura inútil é "Domingão do Faustão", "Domingo Legal" e "BBB", senhor! - respondi enquanto pensava: era só ter levantado a droga do braço e ficado quieto! Mas nãããão! Tinha que cagar tudo!
  - "Domingo Legal" e o que, aluno?! - perguntou o Cel.
  - BBB. Big Brother Brasil, senhor! - dei uma ênfase no "Brasil", como um bom militar patriota.

  Cel Faustino se aproximou mais ainda. Parou, olhou, sério, nos meus olhos e disse:

  - 267, o senhor pode até estar certo. Mas mesmo certo, o senhor está sempre errado. Enquanto EU, mesmo estando errado, sempre vou estar certo, entendeu 267?
  - Sim senhor.
  - Então paga 10 flexões aí. Continuando de onde parei ... - disse, retomando a aula.

  Após pagar as 10 flexões, suspirei, aliviado, e voltei a assistir a instrução. A punição tinha saido barata demais.
  Logo depois do término da instrução, o Tenente Seixas (não preciso dizer que também é fictício né?) nos levou de volta para nosso alojamento. Enquanto todos nós éramos dispensados para finalmente descansarmos e dormirmos, ele chamou meu nome. Ficamos só nós dois ali no pátio e ele me perguntou:

  - 267, o senhor tem merda na cabeça?
  - Não senhor.
  - Aquele cara manda nessa porra toda aqui. Nem eu falo com ele daquele jeito. Aprende uma coisa, aqui no exército o que define quem está certo ou errado é a hierarquia. Então, o cara pode estar falando a maior besteira do mundo, mas se ele estiver acima de você, finja que ele está certo. Entendeu, 267?
  - Sim, senhor.
  - Mais uma coisa. Paga mais 10 aí. Mas vou pagar junto com você, porque hoje você mandou muito bem, 267! Anda logo que tô cansado de olhar pra sua cara hoje.

  Ele se posicionou ao meu lado e fizemos as 10 flexões juntos.
  É, vivendo e aprendendo...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Ela sorria




Mesmo sempre estando sozinha
ela sorria
Mesmo nos dias de sofrimento
ela sorria
Mesmo estando doente
ela sorria
Quando ninguém lhe dava a menor importância
ela sorria
Quando todos caçoavam dela
ela sorria
Mesmo enquanto chorava
ela sorria
Mesmo estando doente
ela sorria
E quando ela se foi 
eles choraram
Mas ela continua sorrindo.



terça-feira, 1 de março de 2011

Despertar

Não, não é mais um capítulo da saga "Crepúsculo"¬¬

Durante muito tempo eu acordava mas ainda estava dormindo
Sonambulismo imperceptível
Foi quando eu finalmente abri meus olhos
E percebi que a realidade era totalmente inversa

É tão gratificante poder olhar além
Poder enxergar o que nunca enxerguei
Olhar para os lados é igualmente importante
Mas nunca olhar para trás
É ótimo ver que a vida está a meu favor
E nunca esteve contra
Na verdade eu que estive contra ela
Não se pode viver se não sonhamos
Mas não se pode viver se apenas sonhamos
Sonambulismo

E como é bom viver de verdade
Como é bom sentir este sorriso sincero
Como é bom ter certeza no que se está fazendo
Melhor ainda é ter certza em fazer as coisas mais incertas
E estar feliz mesmo que não dê certo
Porque mesmo não dando certo, deu certo

Uma vez eu te disse que no final tudo ficaria bem
Acertei.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dieta



Olha lá ela fazendo dieta de novo
Está rindo menos
Está saindo menos
Está trabalhando mais
Está comendo menos
Está vendo os amigos com menos frequencia
Está arriscando menos
Está jogando menos
Está brincando menos
Quase tudo menos
Achando que já é o suficiente
Não é
Essa sua dieta de vida

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Carnaval


Critiquem apenas a falta de felicidade
Alegria de quem quase nunca é alegre
Risos no lugar dos choros
Não quero saber de nossas degraças e tristezas
Alienado sim, por quatro dias
Vivendo o que não vivem numa vida inteira
Assistindo a espontaneidade dos que tiram suas máscaras
Lamentando por essa ilusão acabar tão rápido

Quero mais é que o ano só comece depois do carnaval mesmo!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Lembranças daquela partida

Eu corria atrás da bola
E como corria
Um fôlego que hoje me cansa só de lembrar
Mal sabia o que estava fazendo
Mas quem se importa?
Aqueles garotos chutando e rindo e brincando
Apenas moleques, crianças
Alguns tinha certeza que permaneceriam sempre
Nunca deixando essa partida terminar
Outros, surpreendentemente, permaneceram
Outros, surpreendentemente, não permaneceram
Mas nosso time está cada vez mais forte
Porque só ficaram os craques
Craques na vida
Seleção
Ah se todos eles soubessem pelo que passariam durante todo esse campeonato
Esses meninos que quando parecem derrotados
e quando todos acham que perderiam de goleada a partida
Viram o jogo
Pois sabem que a bola nunca pode parar de rolar
Zebra?
Para mim não
Sempre acreditei nesses garotos
Sempre acreditei na gente




sábado, 15 de janeiro de 2011

Rios de janeiro



Rio de Janeiro
Não, não mais rio
Choro de Janeiro
Nunca vi tantos choros em janeiro
Lágrimas e mais lágrimas
que se misturam aos inúmeros rios que nascem
Os rios de janeiro
Matando e destruindo
E gerando mais lágrimas
Rezamos para as lágrimas do céu cessarem
Torcemos para os rios secarem
Para, enfim, seguirmos de luto
Até a chegada de outro carnaval
Onde todos nós esquecemos de tudo
Até o dia que eles voltarem
No próximo mês de janeiro
ou antes.