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quinta-feira, 14 de julho de 2011

A(s) minha(s) Ana(s)

   Eu tinha que ir à praia, pois era um dia de sol. E eu amava o sol. E eu tinha que ver a Ana. Eu amava a Ana. O sol e a Ana. Solana. E nós fomos à praia. Eu queria ficar ali, sentado na areia, sentindo a brisa e olhando as ondas. Mas Ana também precisava entrar no mar. E entrou. Que linda era a Ana no mar. O mar e a Ana. Mariana.
   O dia estava tão bom que as horas passaram rapidamente, e entardeceu. Mas Ana não se dava por satisfeita. Queria ficar até anoitecer, queria ver a lua. Sim, eu amava o sol, ela amava a lua. E anoiteceu. E que linda era a Ana sob a luz da lua. A lua e a Ana. Luana.
   Ana queria mais. Queria dormir ali mesmo, na areia, para ver o dia nascer. Posso até ter olhado com estranheza para ela quando me disse isso, mas Ana tinha o dom de me fazer sentir o que ela sentia, de desejar o que ela desejava. Ana se misturava a mim. E com o cansaço que sentíamos, adormecemos. E quando abri meus olhos já era de manhã. E Ana já estava lá, sentada, admirando o mais novo dia. E como era linda a Ana olhando o novo dia. O dia e a Ana. Diana.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Para minha irmã cabocla

   Especialmente hoje gostaria de ter o talento do maior escritor que um dia já existiu neste mundo, para que eu pudesse escrever não apenas um texto, mas uma obra-prima literária proporcional a quem você é e ao que você representa na minha vida.
  Você sabe por que o nome desse blog é "Cometa"? Acredito que ninguém saiba pois nunca mencionei. Eis a explicação: existem pessoas que passam em nossas vidas de forma repentina e inesperada. E instantaneamente marcam nossas vidas. Protagonistas de inúmeros momentos em que gostaríamos que o tempo parasse durante segundos para que nossos olhos pudessem fotografá-los. Mas mesmo nossos olhos não tendo tal tecnologia, nossa mente cumpre bem este papel. Tenho um álbum de fotografias desses momentos aqui na minha cabeça. Essas pessoas aparecem em nossas vidas e brilham. Sim, brilham. Brilham no meio de tanta escuridão, e iluminam tudo ao redor. E depois vão embora, deixando saudades e lembranças. Pessoas cometas. Mas esse cometa eu gostaria que não fosse embora nunca.
  Sinto-me meio assim, meio Miudin. Passamos por cada coisa surpreendente nessa vida, mas essa eu não esperava: eu, depois de "burro velho", encontraria uma irmã. Irmã cabocla. Irmã não de sangue, mas irmã que eu escolhi. Irmã que me escolheu. Irmã que me faz bem, muito bem. Irmã que me entende. Irmã que me ensina e me ajuda todos os dias. Irmã que chora e solta gargalhadas comigo. Irmã que tem paciência comigo. Irmã que se revolta comigo. Irmã que ri de mim e ri comigo. Irmã, que independente de qual verbo a suceda, terminará a frase sempre com o pronome comigo. E a recíproca dessa salada morfológica também é verdadeira.
  OBRIGADO. Obrigado pela amizade, pelo companheirismo, pela felicidade que sempre me proporcionou, obrigado por ser a irmã mais perfeita que alguém possa ter. Obrigado por essa força que você tem que me traz força também. Obrigado por existir (um ótimo trabalho da Dr.ª e do Índio Pai).
  Não lhe desejo saúde, muito pelo contrário. Desejo-lhe uma doença. A mesma doença de "Patch Adams": excesso de felicidade. Desejo-lhe sorrisos e lágrimas de felicidade. E que sua felicidade em excesso transborde, contagie outras pessoas e as cure. Sim, sua felicidade cura. Já me curou várias vezes e eu nem precisei de prescrição médica. E sem contra-indicações ou reações adversas.
  Que você tenha sucesso em tudo o que um dia você sonhou em realizar. Que você tenha sempre calma e sabedoria nos momentos mais difíceis, ou com as pessoas pessoas mais difíceis. Que você nunca perca a fé em você mesma. E que você nunca tenha dúvidas de que um dia vai conquistar o mundo.
  Ro haihu.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

13 de maio


   Foi num 13 de maio...

   Foi nesse dia que, a partir de uma assinatura, oficializava-se a igualdade entre duas cores. Pelo menos em teoria. Igualou-se o que nunca deveria ter sido desigual. Prepotência de uma raça que nunca foi superior e nunca será a nenhuma outra. E nem inferior. Mas sim igual, apesar das diferenças.
   Tudo bem, aplausos para o fim de uma discriminação covarde e sem fudamento. Mas deveríamos ter vergonha disso um dia ter acontecido. A história da humanidade ( não só do Brasil ) tem uma enorme mancha, que nunca será apagada. Cada chibatada que eles tomaram não será cicatrizada nunca. Então comemoremos o fim de uma vergonha que nunca poderia ter começado.
   Negro, branco, pardo, indígena, amarelo... Bendita seja a miscigenação do meu país.

Toda forma de preconceito é burra.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Pedra


Um poeta uma vez disse que tinha uma pedra no meio do caminho. Disse que no meio do caminho tinha uma pedra. E que ele nunca esqueceria de que no meio do caminho tinha uma pedra.
Eu não sei qual era a pedra no caminho do Carlos Drummond, mas que ele tinha, tinha.

Uma vez eu não vi que tinha uma pedra no caminho, e dei uma topada nela. E doeu.
Outra vez eu vi que tinha uma pedra no caminho e dei um chute nela. Mas estava descalço. E doeu.
Outra vez eu fingi que não vi que tinha uma pedra no caminho, e pisei nela. Mas estava descalço. E doeu.
Outra vez eu vi que tinha uma pedra no caminho, peguei-a e atirei longe. Acertou outra pessoa. E doeu. Nela.
Outra vez eu vi que tinha um pedra no caminho, ignorei-a, desviei um pouco, e continuei o caminho. Afinal, era apenas uma pedra.

domingo, 8 de maio de 2011

Amargo Mel

Como podes dizer que não exista algo em que outros acreditam?
Mas podes acreditar no que apenas seus olhos vêem
e não podes entender o que eles sentem
Corações gélidos com olhos que não enxergam

Rostos que sorriem disfarçando sentimentos que os matam
Palavras que saem vazias ou bocas que mentem
Palavras sinceras que rasgam ouvidos e nos ferem
Doces mentiras que fingimos acreditar dos que fingem que nos amam

Salvam-me vocês que falam sem medo do que crêem ser certo
Belos sorrisos sinceros que aquietam corações
Sigo responsável por quem ainda cativo

Mesmo podendo fingir que se finge não ter emoções
Somente por ter sinceridade até nos fingimentos ainda vivo
E na felicidade de viver com as verdades que ainda estão por perto.

sábado, 7 de maio de 2011

Baleia e eu

        

Um dia, sob os efeitos alcoólicos de algumas cervejas, conversei com um passarinho, que vivia dentro de uma gaiola, no corredor da minha casa. Como era de se esperar, eu falei mas ele não me respondeu. Mas se ele tivesse respondido...

  EU: Passarinho, você tem sorte.
  PASSARINHO: Sorte por que?
  EU: Porque fica aí dentro, sem nenhuma preocupação, recebendo comida e bebida
  PASSARINHO: Cara, você é cego? Eu tô preso aqui.
  EU: Você quer que eu te solte?
  PASSARINHO: Não, agora já era. Passei minha vida toda aqui. Não conseguiria viver lá fora.
  EU: Ah, mas sua vida não é tão ruim, Passarinho. Você não tem estresses, problemas a serem resolvidos.
  PASSARINHO: Em primeiro lugar, pare de me chamar de Passarinho. Eu tenho nome.
  EU: Tem? Qual?
  PASSARINHO: Meu nome é Baleia. Você não sabia meu nome porque eu não posso falar.
  EU: Mas você está falando!
  BALEIA: Não estou. Você é que tá bêbado.
  EU: Ah é...
  BALEIA: Responde uma coisa. Seu sonho era poder voar né?
  EU: Aham.
  BALEIA: Pois é. Eu tenho asas mas não posso voar, tudo porque um idiota me enfiou dentro dessa gaiola desde que eu nasci.
  EU: =/
  BALEIA: E eu não posso encher a cara quando estiver deprimido, que nem você. Porque se eu bebo esta porcaria que você bebe, eu morro!
  EU: Tá, tá, chega dessa conversa. Mas que pássaro resmungão. Vou dar uma geral aqui na cozinha senão minha mãe me mata.
  BALEIA: Eu mencionei que fui separado dos meus pais ainda filhote e que nem me lembro deles?!!
  EU: Chega Baleia! Você venceu! Parei de beber, que saco...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Meus anjos

    
      Eu não acredito mais em coelho da páscoa, em papai noel ou em reforma agrária. Então me desculpem, mas hoje eu quero as coisas mais certas ao meu lado. Posso não ser a pessoa mais certa do mundo pra dizer o que é certo, já que até o senso comum não é mais confiável. Mas, no fundo, todos sabemos né. Então, não tentem me empurrar goela abaixo uma inocência inexistente.
     O mais importante é que, eu sempre soube caminhar com meus próprios pés, mas só hoje eu sei onde cada caminho vai me levar. E sei quem eu posso escolher para iluminar esse caminho, e sei quem me empurraria para o caminho errado, rumo ao desfiladeiro. Mas esses são minoria.
     Eu não preciso gritar pra que vocês me entendam. Benditos sejam vocês que sabem o que quero dizer mesmo ao não dizer nada. E que riem e me esperam voltar quando vou para outro mundo, durante alguns segundos...
     "No creo en brujas, pero que las hay, las hay." Mas meus anjos são mais fortes. Meus anjos me carregam quando eu nem consigo mais andar sozinho. Meus anjos me fazem rir quando, ridiculamente, sinto pena de mim. Meus anjos riem de mim, riem comigo, riem deles. Meus anjos me aconselham e ouvem meus conselhos. Meus anjos bebem comigo, dançam comigo, vêem seriados comigo, tomam sorvete comigo. Meus anjos comem comigo, dormem no meu sofá, dormem na minha cama, acordam tontos e até limpam minha cozinha.
      Então, como já disse antes, não acredito mais em coelho da páscoa, em papai noel ou em reforma agrária. Mas em anjos sim. E eles também acreditam em mim.

sábado, 2 de abril de 2011

267

  


  Lembro-me como se fosse hoje:
  Dentro do quartel, mais especificamente numa sala do prédio da Artilharia, estávamos tendo uma Instrução (aula) sobre Inteligência Militar. E eu não tinha sido nada inteligente naquele dia.
  Demorei para colocar a farda e cheguei atrasado na instrução. O Sargento, aos berros, empurrou-me para dentro da sala para que não me atrasasse ainda mais. Notei que aquele não era meu pelotão, estava na sala errada. Fiquei na minha e sentei na cadeira para assistir a aula.
  Quem estava "dando a aula" era o Cel Faustino (nome fictício para não expor ninguém. Mentira, não lembro o nome dele mesmo), que nada mais era que o Comandante de todo aquele quartel.
  Bom, durante a instrução, o Cel Faustino comentou sobre algum caso de crime, não sei porque. Mas durante o comentário ele proferiu as seguintes palavras:

  - Foi um daqueles crimes que não se têm intenção de praticar.
  Um aluno levantou a mão e complementou:
  - Crime culposo, senhor.
  - Como disse, aluno? - perguntou o Cel.
  - Um crime que não se tem intenção de praticar é culposo. E quando se tem a intenção de praticar é doloso, senhor - respondeu firmemente o aluno.
  - Hã. E...? Alguém te perguntou alguma coisa, aluno? Vai fazer alguma diferença pra nossa instrução essa sua informação, aluno? Cultura inútil! Quem aqui dos alunos concorda comigo que levante a mão! - ordenou o Cel.

  Bem, notei que a grande maioria tinha levantado a mão, é claro. A grande maioria não, todos. Todos menos eu. Não concordava mesmo, e estava sentado ali atrás, numa das últimas cadeiras, lá no fundo mesmo. Ninguém veria. Errado, viram.

  - Comandante! Tem um aluno aqui que não levantou a mão! Levanta aluno, pro Comandante te ver - delatou-me o Sgt Ramires (também não lembro o nome).

  Dito isso eu me levantei e fiquei em posição de sentido.

  - Aluno, o Sr. não estava prestando atenção na minha aula, está com algum problema no braço que te impediu de levantá-lo ou realmente não concordou comigo? - perguntou-me o Cel.
  - Eu não concordei, senhor! - eu respondi e pensei: tô ferrado!

  Alguns alunos me olharam com olhos arregalados e alguns sargentos balançaram a cabeça negativamente. Acho que realmente tinha feito besteira, como sempre.
 Cel Faustino se aproximou e perguntou:

  - Por que o senhor não concorda comigo, 267? - forçando um pouco a vista para enxergar meu número.
  - Na minha opinião, saber o que é um crime culposo ou doloso não é uma cultura inútil, senhor! Cultura inútil é "Domingão do Faustão", "Domingo Legal" e "BBB", senhor! - respondi enquanto pensava: era só ter levantado a droga do braço e ficado quieto! Mas nãããão! Tinha que cagar tudo!
  - "Domingo Legal" e o que, aluno?! - perguntou o Cel.
  - BBB. Big Brother Brasil, senhor! - dei uma ênfase no "Brasil", como um bom militar patriota.

  Cel Faustino se aproximou mais ainda. Parou, olhou, sério, nos meus olhos e disse:

  - 267, o senhor pode até estar certo. Mas mesmo certo, o senhor está sempre errado. Enquanto EU, mesmo estando errado, sempre vou estar certo, entendeu 267?
  - Sim senhor.
  - Então paga 10 flexões aí. Continuando de onde parei ... - disse, retomando a aula.

  Após pagar as 10 flexões, suspirei, aliviado, e voltei a assistir a instrução. A punição tinha saido barata demais.
  Logo depois do término da instrução, o Tenente Seixas (não preciso dizer que também é fictício né?) nos levou de volta para nosso alojamento. Enquanto todos nós éramos dispensados para finalmente descansarmos e dormirmos, ele chamou meu nome. Ficamos só nós dois ali no pátio e ele me perguntou:

  - 267, o senhor tem merda na cabeça?
  - Não senhor.
  - Aquele cara manda nessa porra toda aqui. Nem eu falo com ele daquele jeito. Aprende uma coisa, aqui no exército o que define quem está certo ou errado é a hierarquia. Então, o cara pode estar falando a maior besteira do mundo, mas se ele estiver acima de você, finja que ele está certo. Entendeu, 267?
  - Sim, senhor.
  - Mais uma coisa. Paga mais 10 aí. Mas vou pagar junto com você, porque hoje você mandou muito bem, 267! Anda logo que tô cansado de olhar pra sua cara hoje.

  Ele se posicionou ao meu lado e fizemos as 10 flexões juntos.
  É, vivendo e aprendendo...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Ela sorria




Mesmo sempre estando sozinha
ela sorria
Mesmo nos dias de sofrimento
ela sorria
Mesmo estando doente
ela sorria
Quando ninguém lhe dava a menor importância
ela sorria
Quando todos caçoavam dela
ela sorria
Mesmo enquanto chorava
ela sorria
Mesmo estando doente
ela sorria
E quando ela se foi 
eles choraram
Mas ela continua sorrindo.



terça-feira, 1 de março de 2011

Despertar

Não, não é mais um capítulo da saga "Crepúsculo"¬¬

Durante muito tempo eu acordava mas ainda estava dormindo
Sonambulismo imperceptível
Foi quando eu finalmente abri meus olhos
E percebi que a realidade era totalmente inversa

É tão gratificante poder olhar além
Poder enxergar o que nunca enxerguei
Olhar para os lados é igualmente importante
Mas nunca olhar para trás
É ótimo ver que a vida está a meu favor
E nunca esteve contra
Na verdade eu que estive contra ela
Não se pode viver se não sonhamos
Mas não se pode viver se apenas sonhamos
Sonambulismo

E como é bom viver de verdade
Como é bom sentir este sorriso sincero
Como é bom ter certeza no que se está fazendo
Melhor ainda é ter certza em fazer as coisas mais incertas
E estar feliz mesmo que não dê certo
Porque mesmo não dando certo, deu certo

Uma vez eu te disse que no final tudo ficaria bem
Acertei.