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domingo, 8 de maio de 2011

Amargo Mel

Como podes dizer que não exista algo em que outros acreditam?
Mas podes acreditar no que apenas seus olhos vêem
e não podes entender o que eles sentem
Corações gélidos com olhos que não enxergam

Rostos que sorriem disfarçando sentimentos que os matam
Palavras que saem vazias ou bocas que mentem
Palavras sinceras que rasgam ouvidos e nos ferem
Doces mentiras que fingimos acreditar dos que fingem que nos amam

Salvam-me vocês que falam sem medo do que crêem ser certo
Belos sorrisos sinceros que aquietam corações
Sigo responsável por quem ainda cativo

Mesmo podendo fingir que se finge não ter emoções
Somente por ter sinceridade até nos fingimentos ainda vivo
E na felicidade de viver com as verdades que ainda estão por perto.

sábado, 7 de maio de 2011

Baleia e eu

        

Um dia, sob os efeitos alcoólicos de algumas cervejas, conversei com um passarinho, que vivia dentro de uma gaiola, no corredor da minha casa. Como era de se esperar, eu falei mas ele não me respondeu. Mas se ele tivesse respondido...

  EU: Passarinho, você tem sorte.
  PASSARINHO: Sorte por que?
  EU: Porque fica aí dentro, sem nenhuma preocupação, recebendo comida e bebida
  PASSARINHO: Cara, você é cego? Eu tô preso aqui.
  EU: Você quer que eu te solte?
  PASSARINHO: Não, agora já era. Passei minha vida toda aqui. Não conseguiria viver lá fora.
  EU: Ah, mas sua vida não é tão ruim, Passarinho. Você não tem estresses, problemas a serem resolvidos.
  PASSARINHO: Em primeiro lugar, pare de me chamar de Passarinho. Eu tenho nome.
  EU: Tem? Qual?
  PASSARINHO: Meu nome é Baleia. Você não sabia meu nome porque eu não posso falar.
  EU: Mas você está falando!
  BALEIA: Não estou. Você é que tá bêbado.
  EU: Ah é...
  BALEIA: Responde uma coisa. Seu sonho era poder voar né?
  EU: Aham.
  BALEIA: Pois é. Eu tenho asas mas não posso voar, tudo porque um idiota me enfiou dentro dessa gaiola desde que eu nasci.
  EU: =/
  BALEIA: E eu não posso encher a cara quando estiver deprimido, que nem você. Porque se eu bebo esta porcaria que você bebe, eu morro!
  EU: Tá, tá, chega dessa conversa. Mas que pássaro resmungão. Vou dar uma geral aqui na cozinha senão minha mãe me mata.
  BALEIA: Eu mencionei que fui separado dos meus pais ainda filhote e que nem me lembro deles?!!
  EU: Chega Baleia! Você venceu! Parei de beber, que saco...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Meus anjos

    
      Eu não acredito mais em coelho da páscoa, em papai noel ou em reforma agrária. Então me desculpem, mas hoje eu quero as coisas mais certas ao meu lado. Posso não ser a pessoa mais certa do mundo pra dizer o que é certo, já que até o senso comum não é mais confiável. Mas, no fundo, todos sabemos né. Então, não tentem me empurrar goela abaixo uma inocência inexistente.
     O mais importante é que, eu sempre soube caminhar com meus próprios pés, mas só hoje eu sei onde cada caminho vai me levar. E sei quem eu posso escolher para iluminar esse caminho, e sei quem me empurraria para o caminho errado, rumo ao desfiladeiro. Mas esses são minoria.
     Eu não preciso gritar pra que vocês me entendam. Benditos sejam vocês que sabem o que quero dizer mesmo ao não dizer nada. E que riem e me esperam voltar quando vou para outro mundo, durante alguns segundos...
     "No creo en brujas, pero que las hay, las hay." Mas meus anjos são mais fortes. Meus anjos me carregam quando eu nem consigo mais andar sozinho. Meus anjos me fazem rir quando, ridiculamente, sinto pena de mim. Meus anjos riem de mim, riem comigo, riem deles. Meus anjos me aconselham e ouvem meus conselhos. Meus anjos bebem comigo, dançam comigo, vêem seriados comigo, tomam sorvete comigo. Meus anjos comem comigo, dormem no meu sofá, dormem na minha cama, acordam tontos e até limpam minha cozinha.
      Então, como já disse antes, não acredito mais em coelho da páscoa, em papai noel ou em reforma agrária. Mas em anjos sim. E eles também acreditam em mim.

sábado, 2 de abril de 2011

267

  


  Lembro-me como se fosse hoje:
  Dentro do quartel, mais especificamente numa sala do prédio da Artilharia, estávamos tendo uma Instrução (aula) sobre Inteligência Militar. E eu não tinha sido nada inteligente naquele dia.
  Demorei para colocar a farda e cheguei atrasado na instrução. O Sargento, aos berros, empurrou-me para dentro da sala para que não me atrasasse ainda mais. Notei que aquele não era meu pelotão, estava na sala errada. Fiquei na minha e sentei na cadeira para assistir a aula.
  Quem estava "dando a aula" era o Cel Faustino (nome fictício para não expor ninguém. Mentira, não lembro o nome dele mesmo), que nada mais era que o Comandante de todo aquele quartel.
  Bom, durante a instrução, o Cel Faustino comentou sobre algum caso de crime, não sei porque. Mas durante o comentário ele proferiu as seguintes palavras:

  - Foi um daqueles crimes que não se têm intenção de praticar.
  Um aluno levantou a mão e complementou:
  - Crime culposo, senhor.
  - Como disse, aluno? - perguntou o Cel.
  - Um crime que não se tem intenção de praticar é culposo. E quando se tem a intenção de praticar é doloso, senhor - respondeu firmemente o aluno.
  - Hã. E...? Alguém te perguntou alguma coisa, aluno? Vai fazer alguma diferença pra nossa instrução essa sua informação, aluno? Cultura inútil! Quem aqui dos alunos concorda comigo que levante a mão! - ordenou o Cel.

  Bem, notei que a grande maioria tinha levantado a mão, é claro. A grande maioria não, todos. Todos menos eu. Não concordava mesmo, e estava sentado ali atrás, numa das últimas cadeiras, lá no fundo mesmo. Ninguém veria. Errado, viram.

  - Comandante! Tem um aluno aqui que não levantou a mão! Levanta aluno, pro Comandante te ver - delatou-me o Sgt Ramires (também não lembro o nome).

  Dito isso eu me levantei e fiquei em posição de sentido.

  - Aluno, o Sr. não estava prestando atenção na minha aula, está com algum problema no braço que te impediu de levantá-lo ou realmente não concordou comigo? - perguntou-me o Cel.
  - Eu não concordei, senhor! - eu respondi e pensei: tô ferrado!

  Alguns alunos me olharam com olhos arregalados e alguns sargentos balançaram a cabeça negativamente. Acho que realmente tinha feito besteira, como sempre.
 Cel Faustino se aproximou e perguntou:

  - Por que o senhor não concorda comigo, 267? - forçando um pouco a vista para enxergar meu número.
  - Na minha opinião, saber o que é um crime culposo ou doloso não é uma cultura inútil, senhor! Cultura inútil é "Domingão do Faustão", "Domingo Legal" e "BBB", senhor! - respondi enquanto pensava: era só ter levantado a droga do braço e ficado quieto! Mas nãããão! Tinha que cagar tudo!
  - "Domingo Legal" e o que, aluno?! - perguntou o Cel.
  - BBB. Big Brother Brasil, senhor! - dei uma ênfase no "Brasil", como um bom militar patriota.

  Cel Faustino se aproximou mais ainda. Parou, olhou, sério, nos meus olhos e disse:

  - 267, o senhor pode até estar certo. Mas mesmo certo, o senhor está sempre errado. Enquanto EU, mesmo estando errado, sempre vou estar certo, entendeu 267?
  - Sim senhor.
  - Então paga 10 flexões aí. Continuando de onde parei ... - disse, retomando a aula.

  Após pagar as 10 flexões, suspirei, aliviado, e voltei a assistir a instrução. A punição tinha saido barata demais.
  Logo depois do término da instrução, o Tenente Seixas (não preciso dizer que também é fictício né?) nos levou de volta para nosso alojamento. Enquanto todos nós éramos dispensados para finalmente descansarmos e dormirmos, ele chamou meu nome. Ficamos só nós dois ali no pátio e ele me perguntou:

  - 267, o senhor tem merda na cabeça?
  - Não senhor.
  - Aquele cara manda nessa porra toda aqui. Nem eu falo com ele daquele jeito. Aprende uma coisa, aqui no exército o que define quem está certo ou errado é a hierarquia. Então, o cara pode estar falando a maior besteira do mundo, mas se ele estiver acima de você, finja que ele está certo. Entendeu, 267?
  - Sim, senhor.
  - Mais uma coisa. Paga mais 10 aí. Mas vou pagar junto com você, porque hoje você mandou muito bem, 267! Anda logo que tô cansado de olhar pra sua cara hoje.

  Ele se posicionou ao meu lado e fizemos as 10 flexões juntos.
  É, vivendo e aprendendo...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Ela sorria




Mesmo sempre estando sozinha
ela sorria
Mesmo nos dias de sofrimento
ela sorria
Mesmo estando doente
ela sorria
Quando ninguém lhe dava a menor importância
ela sorria
Quando todos caçoavam dela
ela sorria
Mesmo enquanto chorava
ela sorria
Mesmo estando doente
ela sorria
E quando ela se foi 
eles choraram
Mas ela continua sorrindo.



terça-feira, 1 de março de 2011

Despertar

Não, não é mais um capítulo da saga "Crepúsculo"¬¬

Durante muito tempo eu acordava mas ainda estava dormindo
Sonambulismo imperceptível
Foi quando eu finalmente abri meus olhos
E percebi que a realidade era totalmente inversa

É tão gratificante poder olhar além
Poder enxergar o que nunca enxerguei
Olhar para os lados é igualmente importante
Mas nunca olhar para trás
É ótimo ver que a vida está a meu favor
E nunca esteve contra
Na verdade eu que estive contra ela
Não se pode viver se não sonhamos
Mas não se pode viver se apenas sonhamos
Sonambulismo

E como é bom viver de verdade
Como é bom sentir este sorriso sincero
Como é bom ter certeza no que se está fazendo
Melhor ainda é ter certza em fazer as coisas mais incertas
E estar feliz mesmo que não dê certo
Porque mesmo não dando certo, deu certo

Uma vez eu te disse que no final tudo ficaria bem
Acertei.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dieta



Olha lá ela fazendo dieta de novo
Está rindo menos
Está saindo menos
Está trabalhando mais
Está comendo menos
Está vendo os amigos com menos frequencia
Está arriscando menos
Está jogando menos
Está brincando menos
Quase tudo menos
Achando que já é o suficiente
Não é
Essa sua dieta de vida

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Carnaval


Critiquem apenas a falta de felicidade
Alegria de quem quase nunca é alegre
Risos no lugar dos choros
Não quero saber de nossas degraças e tristezas
Alienado sim, por quatro dias
Vivendo o que não vivem numa vida inteira
Assistindo a espontaneidade dos que tiram suas máscaras
Lamentando por essa ilusão acabar tão rápido

Quero mais é que o ano só comece depois do carnaval mesmo!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Lembranças daquela partida

Eu corria atrás da bola
E como corria
Um fôlego que hoje me cansa só de lembrar
Mal sabia o que estava fazendo
Mas quem se importa?
Aqueles garotos chutando e rindo e brincando
Apenas moleques, crianças
Alguns tinha certeza que permaneceriam sempre
Nunca deixando essa partida terminar
Outros, surpreendentemente, permaneceram
Outros, surpreendentemente, não permaneceram
Mas nosso time está cada vez mais forte
Porque só ficaram os craques
Craques na vida
Seleção
Ah se todos eles soubessem pelo que passariam durante todo esse campeonato
Esses meninos que quando parecem derrotados
e quando todos acham que perderiam de goleada a partida
Viram o jogo
Pois sabem que a bola nunca pode parar de rolar
Zebra?
Para mim não
Sempre acreditei nesses garotos
Sempre acreditei na gente




sábado, 15 de janeiro de 2011

Rios de janeiro



Rio de Janeiro
Não, não mais rio
Choro de Janeiro
Nunca vi tantos choros em janeiro
Lágrimas e mais lágrimas
que se misturam aos inúmeros rios que nascem
Os rios de janeiro
Matando e destruindo
E gerando mais lágrimas
Rezamos para as lágrimas do céu cessarem
Torcemos para os rios secarem
Para, enfim, seguirmos de luto
Até a chegada de outro carnaval
Onde todos nós esquecemos de tudo
Até o dia que eles voltarem
No próximo mês de janeiro
ou antes.