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terça-feira, 24 de maio de 2011

Num futuro não muito distante

  A história começa no dia 24 de maio de 2011. Após participar do Congresso Municipal Federal Anual e Estadual dos Servidores Públicos Municipais de Cabo Frio e Região dos Lagos, fui abordado por médicos, cientistas e agentes do Governo. Eles me apresentaram um novo projeto e gostariam da minha ajuda. Tratava-se do "PMV",  "Projeto Minha Vida", que visava a experiência, já muito conhecida em filmes de ficcção científica, de congelar uma pessoa para que ela despertasse muitos anos depois, talvez até em outro século, com a mesma aparência, sem nenhum envelhecimento.

  - Mas por que eu?
  - Já oferecemos pra milhares de pessoas antes. Ninguém quis.
  - Ah tá. E por que ninguém quis?
  - São 50 anos. Você vai perder muita coisa da sua vida. Seus amigos vão envelhecer, seus pais morrerem, você vai acordar perdido em outra época. E há a possibilidade de não dar certo e você morrer congelado.
  - Caraca. Eu também não quero não.
  - Oferecemos para você um salário mínimo por mês a partir de quando você acordar, durante toda a sua vida.
  - Só isso? Que absurdo!
  - Uma quentinha por dia e um passe livre nos ônibus da Salineira.
  - Eu topo!

  24 de maio de 2061

  É, realmente deu certo. Quando abri os olhos estava numa cama de hospital, morrendo de frio, cheio de cobertores em cima de mim. Fui apresentado ao Robert,  filho de um dos médicos pioneiros da experiência e estava incumbido de ser meu "guia" nesse mundo novo. Realmente muita coisa havia mudado.
Fui para o primeiro lugar que me veio a cabeça: um bar, é claro. E lá fomos, Robert e eu.

Logo que chegamos, uma garçonete nos perguntou:

  - O que o "casal" vai querer?

  Muito perspicaz, notei que era um bar gay.

  - Robert, nada contra suas opções, mas eu não sou gay. Preferia ir num bar tradicional.
  - Shhhhhh! Nao fala que você não é gay - respondeu susurrando.
  - Ué, mas não sou, sou hétero.
  - Cala a boca! Não fala isso! Eu também sou, mas não podemos falar. Falar "não sou gay" ou "sou hetero", hoje em dia, é considerado homofobia e é crime. Dá até prisão.
  - Ué, mas eu não estou discriminando ninguém.
  - Pois é, mas com o passar dos anos, o conceito de "homofobia" foi muito banalizado e hoje em dia qualquer coisa é homofobia. Se você não concorda com a homossexualidade, você é homofóbico. Se você diz que é hetero, você é homofóbico. Agora eles são maioria, e esse não é um bar gay, é um bar tradicional. Existe um bar hetero, mas fica um pouco longe daqui.

  Resolvemos ir para o outro bar, enquanto isso ouvimos o seguinte comentário:

  - Ih olha lá, aposto que são héteros! Sai pra lá careta! Olha lá gente, dois machinhos!

  Chegamos no bar. Era o único bar hétero da cidade e nem estava cheio. Grande parte dos héteros ficavam em casa, com medo de retaliações. E outra grande parte estava presa.
Pedimos duas cervejas. A garçonete gritou:

  - Traz duas cerveja pra esses dois rapaz sentados aqui na mesa!

  Essa era a linguagem popular, que realmente se tornou a mais popular no país. Todo mundo falava assim, sem concordancia nominal nenhuma. Às vezes eu me esforçava pra entender, parecia outro idioma. A educação do país piorou muito, pois  milhares de professores de português e literatura se recusaram a ensinar tal "língua" para seus alunos (a "linguagem popular" era disciplina obrigatória) e se demitiram, e muitos professores também de outra disciplinas pararam de lecionar, devido aos baixíssimos salários. Procuraram outras profissões, ninguém mais queria ser professor.

  Não havia mais refeições nas escolas públicas, vendiam apenas biscoitos de água e sal. Foi a "solução provisória" que o governo encontrou após as denúncias de desvio de verba destinadas às merendas escolares, que estragavam nas escolas. Alegando falta de dinheiro, não há previsão para a volta das refeições e nem para um aumento de salário aos professores.
  Tomei um porre e Robert me levou para casa. Casa esta que, por sinal, estava mais podre que as antigas merendas escolares. Ao acordar, fui procurar Robert. Encontrei-o próximo ao hospital em que acordei. Implorei que me mandasse de volta ao ano de 2011.

  - Ricardo, isso não é uma máquina do tempo. Você não pode voltar nunca mais. Essa é a sua vida agora.

  Decepcionado, peguei um ônibus para... sei lá pra onde, pra qualquer lugar. Tinha um passe livre nos ônibus da Salineira mesmo. Além das quentinhas. Ao menos isso.

6 comentários:

  1. kkkkkkkkk
    pode parecer exagero, mas em breve homofobia será isso mesmo...

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  2. VOU EMBORA DO BRASIL ANTES QUE HOMOSSEXUALISMO SE TORNE OBRIGATÓRIO.

    http://thebigdogtales.blogspot.com/

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  3. Eu acho que não precisava ir tão longe...
    Coisa de 2, 3 anos e tudo estará assim. Ou não!
    hahaha

    Bjo0ss Ricardo
    =*

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  4. TEM UM SELO PARA VOCÊ LÁ NO MEU BLOG. VAI LÁ BUSCAR RÁPIDO, POIS EU VOU EXCLUIR A POSTAGEM DO SELO EM SETE DIAS. DIA 11/06/2011 O SELO NÃO VAI ESTAR MAIS LÁ. CORRA!

    http://www.thebigdogtales.blogspot.com

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  5. daqui a pouco posso ser preso caso eu queira falar para meus flhos ogrinhos que eles não devem queimar a rosca.
    um país com débito de séculos de preconceito racial ficar dando tanto piti por conta de homofobia é uma palhaçada. concordo é com o lillo lobisomem: vamos fugir antes que ser biba vire lei!
    Abraçogro
    to seguindo seu blog.

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  6. TEM UM SELO NO MEU BLOG PRA VOCÊ. PEGUE-O: É UMA ORDEM! RSRSRSRS


    http://thebigdogtales.blogspot.com/2011/06/homenagem-do-hnsc-para-mim-e-para-voces.html

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